Relatório britânico questiona o uso indiscriminado de produtos tópicos e reforça a importância de escolher a proteção com orientação veterinária.
Um produto aplicado para proteger cães e gatos pode deixar o pelo, chegar ao ralo e terminar em rios. Essa rota ganhou destaque após um relatório do Parlamento britânico pedir controles mais rigorosos sobre medicamentos contra pulgas e carrapatos. O documento, publicado em 5 de agosto, concentra a preocupação em substâncias como fipronil e imidacloprida, encontradas em tratamentos tópicos aplicados diretamente sobre a pele.
Como o produto chega à água
A contaminação não ocorre apenas quando um cachorro entra em um lago depois da aplicação. Pesquisas identificaram resíduos liberados durante o banho do animal, a lavagem de camas e mantas e o contato das mãos com o pelo tratado. Depois, a água usada nessas atividades segue para o sistema de esgoto. Parte dessas substâncias pode resistir ao tratamento convencional e alcançar ambientes naturais.
O alerta existe porque esses compostos foram desenvolvidos para matar parasitas em doses pequenas. Fora do animal, eles também podem afetar insetos aquáticos que participam da cadeia alimentar de peixes e aves. Monitoramentos realizados no Reino Unido detectaram fipronil e imidacloprida em cursos d’água, enquanto estudos acadêmicos indicaram que os resíduos podem continuar saindo do pelo por semanas. Ainda há lacunas importantes sobre a dimensão do impacto e sobre outros princípios ativos.
O que o novo relatório propõe
Entre as recomendações, o comitê britânico defende que antiparasitários deixem de ser vendidos sem uma avaliação individualizada. Também sugere ampliar os estudos ambientais exigidos para esses medicamentos e rever as instruções sobre banhos após o uso de soluções tópicas. As propostas ainda dependem de decisões do governo e se referem ao Reino Unido. Portanto, não representam uma nova regra para tutores brasileiros.
O debate, porém, levanta uma pergunta útil em qualquer país: todos os animais precisam receber o mesmo produto durante o ano inteiro? Entidades veterinárias defendem uma avaliação baseada no risco. Um cão que nada com frequência, um gato que não sai de casa e um animal que vive em área com alta presença de carrapatos têm exposições diferentes. Idade, peso, saúde, espécie, região e convivência com outros animais também influenciam a escolha.
Não interrompa a prevenção por conta própria
A preocupação ambiental não transforma antipulgas e carrapaticidas em produtos dispensáveis. Infestações causam coceira, feridas, anemia e podem transmitir doenças. Em alguns contextos, o risco também alcança as pessoas. Suspender o controle sem orientação pode deixar o animal vulnerável, enquanto substituir uma apresentação tópica por comprimido não garante automaticamente menor impacto ambiental. Cada princípio ativo possui benefícios, limitações e formas próprias de chegar ao ambiente.
O passo mais seguro é levar a rotina do pet à consulta veterinária. Informe se ele costuma nadar, toma banhos frequentes, frequenta parques, viaja, vive com crianças ou outros animais e já teve reações. Pergunte qual parasita precisa ser controlado, por quanto tempo e por que aquela apresentação foi escolhida. Nunca divida produtos entre espécies, pois substâncias toleradas por cães podem ser perigosas para gatos.
Pequenas atitudes reduzem o descarte inadequado
Quem utiliza uma pipeta deve seguir a bula e a orientação profissional, respeitar a dose e evitar contato com o local até que esteja seco. Embalagens usadas, sobras e medicamentos vencidos não devem ser despejados na pia ou no vaso sanitário. O destino correto deve ser confirmado com o veterinário, a farmácia ou o serviço de descarte disponível na cidade. Pelos retirados na escovação e materiais usados na limpeza também devem ir para o lixo, não para áreas externas.
O novo alerta não pede que os tutores escolham entre o pet e a natureza. Ele mostra que uma boa prevenção precisa considerar os dois. Quando o tratamento é definido para aquele animal, usado corretamente e descartado com cuidado, a proteção deixa de ser automática e passa a ser uma decisão mais consciente.
