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Morte de veterinária reacende debate sobre manejo de cães de trabalho.

Publicada em: 23/08/2026 23:06 -

Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, morreu em 22 de agosto, quatro dias depois de ser atacada por um cão do Serviço de Cinotecnia do Senado Federal, em Brasília. A profissional prestava serviços de cuidado aos animais da instituição e havia trabalhado anteriormente no local como estagiária de Medicina Veterinária.

O ataque ocorreu em 18 de agosto, durante um atendimento no canil. Vitória sofreu ferimentos graves no pescoço, foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Base do Distrito Federal, onde passou por cirurgia e permaneceu internada na UTI. O cão, um pastor-belga-malinois, foi afastado das atividades operacionais e colocado em observação.

A Polícia Civil realizou perícia e abriu investigação. O Senado também informou que apura o episódio. Até a conclusão dessas análises, não há base para afirmar o que provocou o ataque, se houve falha de procedimento ou se alguma medida de segurança deixou de ser adotada.

Por que cães de trabalho exigem planejamento específico

Cães empregados em segurança recebem treinamento para tarefas como patrulhamento, detecção de substâncias, explosivos e armas, além de apoio em buscas. Esse preparo não transforma automaticamente o animal em uma ameaça, mas cria necessidades próprias de manejo, principalmente durante exames, procedimentos dolorosos ou situações desconhecidas.

Diretrizes veterinárias para cães de trabalho alertam que alguns desses animais podem apresentar maior excitação ou reatividade quando sentem desconforto ou são contidos. Por isso, a consulta deve ser planejada com participação ativa do condutor, que conhece o histórico, os comandos e as respostas habituais do cão.

A presença do condutor também ajuda a organizar a aproximação e reduzir estímulos desnecessários. Separar a dupla durante o atendimento deve ser evitado quando não for indispensável. Caso a separação seja necessária, a equipe precisa avaliar previamente como realizá-la com segurança e menor estresse.

Menos força pode significar mais segurança

O manejo de baixo estresse prioriza movimentos calmos, leitura da linguagem corporal, pausas e contenção proporcional ao procedimento. Imobilizar o animal com força excessiva ou cercá-lo com várias pessoas pode aumentar medo, resistência e risco de lesões para o cão e para a equipe.

A focinheira tipo cesta pode integrar o planejamento quando houver risco de mordida. Para funcionar adequadamente, deve ter tamanho correto e, de preferência, fazer parte de um treinamento positivo anterior. Mesmo com focinheira, o atendimento continua exigindo cautela, pois um animal agitado ainda pode causar ferimentos com impactos da cabeça ou do corpo.

Analgesia, medicamentos para reduzir ansiedade ou sedação também podem ser considerados pelo médico-veterinário conforme o procedimento, o estado de saúde e o comportamento observado. Essas medidas não devem ser improvisadas nem aplicadas por pessoas sem habilitação profissional.

Segurança depende de um sistema, não de uma única barreira

A prevenção envolve avaliação antecipada do risco, definição de responsabilidades, equipe treinada, equipamentos adequados, registro do comportamento do animal e plano para emergências. Informações de atendimentos anteriores precisam acompanhar o cão para orientar decisões futuras.

O ambiente também importa. Ruído, circulação de pessoas, piso escorregadio e aproximações inesperadas podem elevar a tensão. Organizar o espaço, limitar interrupções e combinar previamente cada movimento entre condutor e equipe veterinária reduz a possibilidade de respostas imprevistas.

A morte de Vitória transforma uma discussão técnica em uma questão urgente de segurança ocupacional. A investigação deverá esclarecer o episódio específico. Independentemente de seu resultado, instituições que mantêm cães de trabalho precisam revisar rotinas, treinar continuamente suas equipes e tratar cada atendimento como uma operação que exige coordenação, conhecimento do animal e proteção de todos os envolvidos.

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