Acesso a óculos e exames ganha força para enfrentar perda visual evitável.
Campanha reforça caminhos de cuidado para quem perde o controle das apostas e para familiares afetados.
Tentar recuperar dinheiro perdido, esconder apostas e comprometer contas essenciais são sinais que merecem atenção. Em 1º de outubro, uma campanha nacional reforçou as opções de atendimento para problemas relacionados a jogos e apostas. O cuidado está disponível no SUS, com acolhimento presencial e uma alternativa de acompanhamento remoto pelo Meu SUS Digital.
O transtorno do jogo é uma condição de saúde reconhecida nas classificações diagnósticas internacionais. Seu núcleo envolve dificuldade para controlar o comportamento, prioridade crescente dada ao jogo e continuidade apesar das consequências negativas. O diagnóstico exige avaliação profissional.
O prejuízo não é apenas financeiro
Mudanças no sono, no humor, na rotina e nas relações podem acompanhar a perda de controle. A pessoa pode deixar atividades importantes de lado, aumentar o tempo dedicado às apostas ou voltar a jogar para tentar compensar perdas. A combinação desses sinais é mais relevante do que observar somente o valor movimentado.
Os danos também atingem familiares e outras pessoas próximas. Dívidas, insegurança financeira e conflitos podem comprometer a vida doméstica. Conversar sem humilhação favorece a busca de apoio. Reconhecer o sofrimento não significa tratar novas apostas como solução para o dinheiro perdido, nem prometer que um resultado favorável encerrará o problema.
Vergonha e medo de julgamento podem dificultar o pedido de ajuda. Não é necessário esperar que todas as áreas da vida estejam comprometidas para procurar atendimento. Mesmo quando ainda não existe um diagnóstico, os serviços podem avaliar os prejuízos, identificar necessidades e orientar o próximo passo.
Onde começa o atendimento
A Unidade Básica de Saúde é uma porta de entrada para acolhimento e avaliação inicial. Quando necessário, a equipe encaminha a pessoa para um Centro de Atenção Psicossocial ou outro serviço da Rede de Atenção Psicossocial. O percurso depende das necessidades clínicas e da organização local, sem exigir que o usuário escolha sozinho o tratamento.
Os CAPS contam com equipes multiprofissionais e podem oferecer acompanhamento clínico, apoio psicológico e orientação aos familiares. O cuidado é construído conforme a situação de cada pessoa. Não se resume a uma conversa sobre disciplina financeira, pois pode envolver sofrimento psíquico e outras condições que precisam ser avaliadas.
No Meu SUS Digital, o acesso ao serviço remoto utiliza a conta gov.br. A orientação divulgada é entrar em Miniapps, selecionar a opção sobre problemas com jogos de apostas e responder ao autoteste. Quando identificado risco moderado ou elevado, a ferramenta encaminha para teleatendimento. Familiares e integrantes da rede de apoio também podem receber cuidado.
Autoteste orienta, mas não fecha diagnóstico
Responder a perguntas sobre o comportamento pode ajudar a perceber dificuldades que estavam sendo minimizadas. O resultado de um autoteste, porém, não substitui avaliação clínica. O acompanhamento profissional considera histórico, consequências, condições associadas e necessidades de segurança. Também define se a continuidade será remota ou se haverá encaminhamento presencial.
Entre as abordagens psicológicas utilizadas está a terapia cognitivo-comportamental, conduzida por profissional capacitado. Ela pode trabalhar situações que estimulam o jogo, formas de responder aos impulsos e estratégias para prevenir recaídas. Nenhuma intervenção deve ser apresentada como garantia de resultado imediato, e medicamentos não devem ser iniciados por conta própria.
Reduzir a exposição a conteúdos de apostas, desativar notificações e conversar com alguém de confiança são medidas de apoio. Elas não substituem tratamento quando há perda de controle. A organização das finanças pode integrar o cuidado, mas precisa caminhar junto com a atenção à saúde e à proteção das pessoas afetadas.
Se houver pensamentos de morte, risco de autoagressão ou uma crise que comprometa a segurança, procure atendimento de urgência. No Brasil, é possível acionar o SAMU pelo 192 ou buscar uma unidade de pronto atendimento. Para dificuldades persistentes, uma UBS pode ajudar a iniciar o acompanhamento sem esperar uma emergência.













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