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Sete em cada dez veículos rodam sem seguro no Brasil, entenda o risco

Publicada em: 16/08/2026 07:00 -

Reparos mais caros e coberturas mal compreendidas aumentam a exposição financeira de quem dirige.

Uma batida leve já pode provocar um prejuízo muito maior do que a aparência sugere. Para-choques atuais podem reunir sensores de estacionamento, radares, câmeras e componentes que precisam ser recalibrados depois do conserto. Faróis, retrovisores e para-brisas também incorporaram eletrônica. Nesse cenário, circular sem proteção deixou de ser apenas uma escolha sobre o valor do próprio carro e passou a envolver gastos difíceis de prever.

O alerta ganhou força após um levantamento recente mostrar que 71% da frota brasileira ainda circula sem seguro. Os dados cruzam informações do mercado segurador com registros nacionais de veículos. Embora o setor projete crescimento das contratações em 2026, a distância entre o número de automóveis em circulação e o total protegido continua grande.

O risco não termina no valor do carro

Muitos motoristas avaliam o seguro apenas pela possibilidade de roubo ou perda total. Essa conta ignora um dos maiores riscos: causar danos a outra pessoa. Uma colisão pode envolver o reparo de um veículo mais caro, despesas médicas e outras responsabilidades. Por isso, a cobertura para terceiros merece atenção separada, com limites compatíveis com o prejuízo que pode ocorrer.

Também é importante distinguir cobertura compreensiva, proteção contra roubo e furto, responsabilidade civil, acidentes pessoais de passageiros e serviços adicionais. Nem toda proposta reúne esses itens. Expressões como “proteção completa” precisam ser conferidas nas condições contratuais, porque o nome comercial não substitui a lista de eventos cobertos, exclusões e limites de indenização.

Franquia e assistência não são a mesma coisa

A franquia é a parcela que o segurado assume em determinados reparos parciais. Uma proposta com preço anual menor pode trazer franquia mais alta, transferindo mais custo ao motorista quando houver uma colisão. Comparar somente o valor da parcela, portanto, pode produzir uma economia aparente.

Assistência 24 horas também não deve ser confundida com seguro. Guincho, chaveiro, troca de pneu e socorro em pane são serviços úteis, mas não significam necessariamente indenização por colisão, roubo ou danos a terceiros. É essencial verificar a distância máxima do reboque, a quantidade de acionamentos e as situações excluídas.

Como comparar uma proposta com mais segurança

Antes de contratar, o motorista pode organizar a decisão em quatro pontos. Primeiro, deve identificar os riscos mais relevantes para sua rotina, como longos deslocamentos, estacionamento na rua, viagens ou uso profissional. Depois, precisa comparar propostas com coberturas equivalentes, observando valores de indenização, franquia, rede de oficinas, carro reserva e assistência.

O terceiro passo é ler as exclusões e declarar corretamente quem dirige o veículo, onde ele passa a noite e qual é sua utilização. Informações incorretas podem gerar dificuldades no momento do sinistro. Por fim, é recomendável verificar a situação da empresa e do produto nos canais oficiais da Superintendência de Seguros Privados.

Essa checagem também vale para a proteção patrimonial mutualista. O segmento passou a ser regulamentado em 2026, mas vive uma fase de transição. A própria autarquia informa que o cadastramento inicial de uma associação não significa que ela já tenha alcançado o status de regular. O consumidor deve confirmar a condição atual da entidade antes de assinar qualquer contrato.

Não ter cobertura pode parecer uma forma imediata de reduzir despesas, principalmente para veículos antigos. Porém, a decisão precisa considerar não apenas o preço do automóvel, mas o custo de reparar o próprio carro, indenizar terceiros e recuperar a mobilidade depois de um imprevisto. Seguro não elimina o risco, mas pode impedir que um acidente cotidiano se transforme em uma dívida prolongada.

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