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Primeira noite fora de casa pode sabotar o sono, entenda por quê.

Publicada em: 22/08/2026 12:00 -

Você chega cansado ao hotel, ajeita o travesseiro, apaga a luz e espera dormir rapidamente. Em vez disso, demora a pegar no sono, desperta várias vezes e acorda com a sensação de que descansou pouco. Essa experiência tem nome: efeito da primeira noite. O fenômeno voltou ao noticiário nesta semana, mas é conhecido há décadas por pesquisadores do sono e não depende necessariamente de uma cama ruim.

Em geral, a primeira noite em um ambiente desconhecido apresenta maior tempo para adormecer, mais períodos acordados e redução da eficiência e da profundidade do sono. É justamente por isso que estudos realizados em laboratório muitas vezes reservam uma noite para adaptação antes de coletar os dados principais. Para a maioria das pessoas, o descanso melhora quando o local deixa de parecer completamente novo.

Um cérebro mais atento ao redor

Uma das explicações mais estudadas é que o cérebro mantém um grau maior de vigilância diante do desconhecido. Em uma pesquisa publicada em 2016, cientistas acompanharam 35 adultos jovens e saudáveis em três experimentos. Durante o sono profundo da primeira noite, uma região do hemisfério esquerdo apresentou atividade diferente da observada no lado direito e respondeu com mais intensidade a sons incomuns.

Isso não quer dizer que metade do cérebro permaneça literalmente acordada. A descoberta aponta para uma assimetria localizada na profundidade do sono e na resposta a estímulos. Pesquisas posteriores sugerem que a vigilância também aparece durante o sono REM, mas com mecanismos diferentes. A hipótese é que essa atenção parcial tenha uma função protetora, embora ainda existam questões sobre como o efeito varia entre pessoas e situações.

O desconforto também pode reunir vários fatores. Ruídos, claridade, temperatura inadequada, mudança de horário, expectativa por um compromisso e ansiedade podem se somar ao estranhamento do quarto. Se a viagem atravessa fusos horários, entra em cena ainda o jet lag, causado pelo desalinhamento entre o relógio biológico e o horário do destino. São fenômenos distintos, embora possam ocorrer juntos.

Como preparar uma noite mais tranquila

Não existe uma fórmula capaz de eliminar o efeito, mas reduzir as diferenças em relação à rotina de casa pode ajudar. Manter horários próximos aos habituais, reservar a última hora do dia para atividades calmas e deixar o quarto escuro, silencioso e fresco são medidas recomendadas para favorecer o sono. Máscara para os olhos e protetores auriculares podem ser úteis quando não é possível controlar luz e barulho.

Levar um objeto familiar, como o próprio travesseiro ou uma pequena peça usada na rotina noturna, pode tornar o ambiente menos estranho. Também é prudente evitar refeição pesada, álcool e cafeína perto do horário de dormir. Embora o álcool possa facilitar a sonolência inicial, ele tende a fragmentar o descanso. Se houver uma reunião, prova ou cerimônia importante, chegar com antecedência permite uma noite de adaptação antes do compromisso.

Quando o sono não vem, ficar conferindo as horas e tentando forçá-lo pode aumentar a tensão. Uma rotina simples de desaceleração, com leitura tranquila, respiração lenta ou banho morno, ajuda a sinalizar que o dia terminou. Medicamentos e suplementos não devem ser usados por conta própria, sobretudo em viagens, quando horários, alimentação e outras condições já estão diferentes.

O efeito da primeira noite costuma ser passageiro. Porém, dificuldade para dormir em casa, episódios frequentes por semanas, cansaço que prejudica as atividades, ronco intenso ou despertares com falta de ar merecem avaliação profissional. Nesses casos, atribuir tudo ao ambiente pode atrasar a identificação de insônia ou de outro distúrbio do sono.

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