A Yamaha entrou no mercado brasileiro de locação de motocicletas com a criação da Blustar, operação voltada tanto ao uso pessoal quanto a profissionais que trabalham sobre duas rodas. O serviço começa com a Factor 150 e oferece contratos mensal e anual, com contratação digital e retirada em concessionárias participantes.
No plano de 12 meses, o valor anunciado parte de R$ 49 por dia, cobrado em parcelas semanais de R$ 343. A modalidade mensal custa R$ 52 por dia, ou R$ 364 por semana. Os preços mostram que a comparação com compra à vista ou financiamento precisa considerar o período completo, e não apenas a diária apresentada na publicidade.
Pacote reúne despesas da motocicleta
O contrato inclui IPVA, licenciamento, manutenção preventiva, assistência 24 horas, rastreamento, acessórios antifurto e cobertura prevista para danos. A proposta é transformar diferentes despesas da moto em um pagamento recorrente e mais previsível para o usuário.
A jornada é feita por aplicativo. O interessado envia documentos, escolhe o plano, realiza os pagamentos e seleciona o ponto de retirada. As concessionárias que aderirem ao modelo ficam responsáveis pela entrega, pelo atendimento e pelas manutenções previstas durante a locação.
A operação começa em cinco lojas distribuídas por três estados. A meta anunciada é alcançar 40 concessionárias até o fim de 2027. A expansão será gradual, portanto a disponibilidade depende da região e da participação de cada estabelecimento da rede.
No encerramento do contrato anual, o cliente poderá manifestar interesse em adquirir a motocicleta. Isso não significa transferência automática da propriedade. A compra dependerá das condições oferecidas naquele momento e da análise financeira aplicável ao negócio.
Locação de motos cresceu rapidamente
A entrada de uma fabricante tradicional acompanha uma transformação relevante no setor. Os emplacamentos de motocicletas destinados às locadoras passaram de 7.856 unidades em 2021 para 130.751 em 2025. O avanço supera 1.560% em quatro anos, embora parta de uma base inicialmente pequena.
Ao final de 2025, as empresas de locação mantinham 263.330 motocicletas em suas frotas, crescimento de 81,6% sobre o ano anterior. O resultado está ligado à procura por transporte individual e ao uso profissional da moto em entregas e outros serviços urbanos.
Esse movimento também alterou o ranking de emplacamentos. Uma locadora especializada registrou 66.987 motocicletas entre janeiro e julho de 2026 e alcançou 4,88% do mercado nacional. O volume ajuda a explicar por que fabricantes passaram a observar a locação como canal de relacionamento com clientes, e não apenas como venda para grandes frotas.
Contrato deve ser comparado com a compra
Para saber se o aluguel compensa, o motociclista precisa estimar quanto pagará durante todo o prazo. No plano anual anunciado, 52 cobranças semanais de R$ 343 somam R$ 17.836. Esse valor garante o uso da moto e os serviços incluídos, mas não torna o usuário proprietário ao final.
Na compra financiada, por outro lado, existem entrada, juros, documentação, seguro, manutenção e risco de desvalorização, mas o veículo passa ao comprador após a quitação. A melhor escolha depende do tempo de uso, da renda disponível, da quilometragem percorrida e da disposição para assumir custos imprevistos.
Antes de contratar, é essencial verificar caução, limite de quilometragem, franquias, responsabilidades por danos, atraso, roubo, multas, manutenção, cancelamento e devolução. Também deve ficar claro o que a cobertura realmente protege e em quais situações uma motocicleta reserva será fornecida.
A nova operação amplia as formas de acesso às motos no Brasil, mas não elimina a necessidade de fazer contas. Para trabalhadores que valorizam previsibilidade e assistência, o pacote pode ser conveniente. Para quem pretende usar a mesma motocicleta por vários anos, comprar e conservar o veículo pode continuar sendo financeiramente mais adequado.
